sábado, 30 de julho de 2011

Aloe Blacc no Cooljazzfest


No dia 28 de Julho, o Parque Marechal Carmona quase que rebentou pelas costuras para receber Aloe Blacc. A culpa residiu, talvez, nos êxitos I Need a Dollar e Loving You (Is Killing Me) do último álbum do cantor, Good Things. Mas Aloe Blacc é muito mais do que o êxito que roda nas televisões e rádios e provou isso mesmo com o concerto que deu, com um jogo de ancas a balancear entre o frenético e o melado.

De forma calma, mas já a mostrar a jinga da sua dança, Aloe Blacc introduziu-se ao público na penúltima noite do festival Cooljazzfest com Good Things, música que dá nome ao seu 3º álbum de originais. Depois surgiu uma previsão sob forma de medley daquilo que seria o concerto referindo nomes de gigantes da soul, entre eles Al Green ou Marvin Gaye. O reportório, maioritariamente constituído por músicas do último álbum, levou a várias nuances durante as quase duas horas de concerto. Take me Back, If I, So Hard ou You Make Me Smile arremessavam o público para uma calmaria de soul mais pausada, contudo com as suas diferenças. You Make Me Smile, música alegre e a piscar o olho ao público feminino, fez-se de um coro com mãos a andar em ondas pelo recinto, enquanto que If I, mais pesada e soturna, fez de todos gente calada e boquiaberta, em pele de galinha, a deslumbrarem-se com o uso tão vincado do sentimento na voz de Aloe Blacc. “If I die, will you pray for me, please?”, cantou em acapella, mostrando o porquê deste género musical se apelidar de soul.

Contudo, não se vá pensar que o concerto foi monótono. Entre balancés sentimentalistas, houve também tempo para muita energia, quer na relva do Parque Marechal Carmona, quer no palco, onde a dança tinha sempre espaço por parte de Aloe Blacc. O mesmo lançou o convite ao público para fazer uma pista de dança na plateia. Fez-se um espaço a meio e para lá se lançaram membros da plateia, primeiro tímidos pelas luzes apontadas, mas rapidamente se agruparam e fizeram a festa sem qualquer tipo de inibições. Hey Brother, Femme Fatale ou mesmo a Politician receberam uma resposta bastante positiva por parte do público e depois lá teve que vir a bomba da I Need a Dollar para se soltarem quaisquer acanhamentos do público. De letra na ponta da língua, a música cantou-se toda entre palco e plateia. Depois disse-se adeus e lá se voltou, como é hábito, para acabar em grande (e que final!).

Música calma, muito lenta, sem ninguém perceber o que seria aquilo enquanto se ouviam uns miúdos a pedir a Loving You (Is Killing Me) (já lá íamos). Ouve-se um Billie Jean a sair da boca de Aloe Blacc e todo o mundo bate palmas. E que bela versão, muito à imagem de todo o concerto, entre o pujante e o vagaroso. Depois, mais uma versão e esta também de arregalar os olhos: “California Dreaming”, a reclamar toda a soul que está embutida neste gracioso tema dos The Mamas & the Papas (Bobby Womack, Eddie Hazel ou Four Tops também já lhe tinham dado o seu toque).

Para terminar, a que faltava: Loving You (Is Killing Me). Música forte, a puxar para a dança, lá fez as festas de despedida de um concerto bipolar mas memorável a médio-prazo, provando que Aloe Blacc está bem é na soul (ele que ainda rapou a meio do concerto) e que por lá continue durante muitos bons anos.


Vídeo e Fotos

Aloe Blacc - You Make Me Smile (at Cooljazzfest) from João Gaspar on Vimeo.










sexta-feira, 29 de julho de 2011

Especial Espacial ou melhor, hoje o Space foi o Place



* Marcus Belgrave - Space Odissey

* Sun Ra - The Night of The Purple Moon

* Sun Ra - Interplanetary Music

* Dexter Wansel - Life On Mars

* Stanton Davis' Gettho/Mysticism - Space-A-Nova

* Eddie Henderson - Galaxy

* Dexter Wansel - Stargazer

* The Undisputed Truth - Spaced Out

* Sun Ra - Space Is The Place

* Dexter Wansel - Theme From Planets

* Sun Ra - The Sky Is a Sea of Darkness When There Is No Sun / We Travel the Spaceways

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Let's fall in love for the disco


Claudja Barry - Why Must A Girl Like Me
Sticky Fingers - Party Song
Wayne St. John - Something's Up (Love Me Like The First Time)
Avenue B Boogie Band - Bumper To Bumper
Cheryl Lynn - Got To Be Real
Gary's Gang - Keep On Dancing
Stacy Lattisaw - Jump To The Beat
Timmy Thomas - Touch To Touch
Eddie Henderson - The Kumquat Kids

terça-feira, 26 de julho de 2011

A estreia no feminino.




Donny Hathaway - I love you more than you will ever know
The Rayons - Do you love me
Eddie Ray - You are mine
The Rising Sun - Do what you're doin'
Ann Peebles - Until you came to my life
Marlena Shaw - Feel like making love
Marlena Shaw - Woman of the guetto
Lee Fields & The Expressions - Ladies
Al Green - I'm glad you're mine
Al Green - Love and happiness
Funk Inc - Somewhere in my mind
Junior Parker - Love ain't nothing but a business goin on
The Gaturs - Concentrate
The Meters - Find yourself
Naomi Shelton & The Gospel Queens - What have you done

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cascais CoolJazz, primeira parte

The Budos Band

Num cenário natural fantástico – Parque Marechal Carmona, Cascais – logo a seguir à curva da baía, ali como quem sai do nosso Monte Carlo à portuguesa, esperava-se um final de tarde agradável. O palco tirava partido das frondosas copas das árvores e, em particular, de uma palmeira que nos atirava à força para ambientes mais quentes, não fosse o vento ciclónico e o frio lembrar-nos que afinal era mesmo uma noite de Verão lusitano.

Às 21h em ponto, sobem ao palco dez barbudos, com ar de quem acaba de atravessar um deserto. Não houve tempo para contemplações. De imediato, a secção de sopros prova ser bem mais potente que o vento, fazendo saltar o capachinho ao senhor de camisa rosa-salmão, sentado na secção VIP do festival. Desde então, a cada sopro, levaram-se as mãos à cabeça um pouco por toda a plateia, num misto de euforia e precaução. As pausas entre os temas, maioritariamente do último álbum (III), eram praticamente inexistentes, não dando qualquer possibilidade de descanso – apesar de a maioria permanecer sentada, não fosse o pó sujar os delicados mocassins. Ao final do terceiro tema solta-se a voz de Jared Tankel – senhor do Saxofone Barítono – e, com ele, toda a banda, incentivando o povo a dançar enquanto erguiam repetidamente os punhos ao estilo Fela! Foi então que se deu a divisão das massas – enquanto uns se entregaram de corpo e alma à dança, outros franziam a testa, procurando disfarçar o incómodo cruzando as pernas e esticando o vinco das calças.
Entre dentes, teciam-se comentários próprios de quem não sabia exactamente o que se estava a passar – “eu pensava que esta banda era mais estilo Sassetti…”

De facto, o que se ouvia não era Jazz, mas era Cool! Aliás, o estilo dos The Budos Band nunca foi fácil de catalogar. Como toda a boa música, nunca se interessou por gavetas. Bebe de várias fontes e produz-se na melhor fundição. O que interessa saber é apenas isto: tem o poder de nos fazer respirar ares abafados, movimenta-se em zonas perigosamente cinematográficas e destila um veneno mortífero chamado Groove. O resto são cantigas!

Entretanto começa a desenhar-se um terceiro grupo na multidão, os que tiravam fotografias desfocadas a tudo o que mexia e se desengonçavam longe do ritmo da música – deixando no ar a ideia de que, afinal, as nuvens de fumo com cheiro vegetal talvez não fossem provenientes do incenso Nag-Champa.








Thomas “TNT” Brenneck, guitarrista (também dos Dap-Kings e dos Menahan Street Band), comanda a banda de forma exímia e discreta. Ao seu sinal, começam e acabam, por exemplo, Rite of The Ancients, Unbroken, Unshaven ou Budos Rising, alguns dos temas-chave da noite. O senhor das congas parece um índio gigante, próprio de um Western-Spagetthi clássico, punindo freneticamente aqueles objectos de percussão sem dó nem piedade. Deambulando sem cessar pelo palco, o senhor do baixo com nome de família pouco católico, Daniel Foder, dava nas vistas não só pelo seu aspecto eremita mas também pelo modo pouco ortodoxo como tocava – muitas vezes na vertical, usando a parte de trás do baixo como percussão. Nos sopros, de destacar a alegria contagiante do tal MC de serviço, Jared Tankel, sempre pronto a gritar “let’s party!”. Os restantes membros, apesar de mais contidos na exuberância, nunca se desleixaram na energia depositada, levando o colectivo a atingir assombrosos picos de simbiose para uma banda com dez elementos.

De realçar, a enorme distância entre o som dos álbuns gravados em estúdio e a banda ao vivo! Para melhor! Os três álbuns e o EP editados pela banda são muito bons, mas correm o risco de soar à repetição de uma boa fórmula. Por outro lado, ao vivo, o ritmo frenético das congas, bateria e restantes elementos de percussão, a potência avassaladora dos sopros e a profundidade das cordas e do teclado não dão espaço para levantar questões ou dúvidas. O som atravessa literalmente o nosso corpo e arranca-nos pela raiz. Há qualquer coisa de primitivo nesta experiência, uma emoção que levanta do nosso sangue as vozes de remotos antepassados, muito mais instinto que razão. Talvez por isso, quando acabaram de tocar, o senhor da camisa rosa-salmão pôde finalmente tirar as mãos da cabeça e, em coro, grande parte da plateia suspirou de alívio e foi afogar-se em margaritas.

Cascais CoolJazz, segunda parte

Charles Bradley & Menahan Street Band

Tenho dificuldades em explicar o que aconteceu. Este não é um senhor vulgar. Tem uma história de vida que dava para meia dúzia de programas da tarde e, no entanto, aparece em palco com a inocência de uma criança. De fato branco à oficial da marinha, desliza pelo chão com os seus botins de tacão como um fantasma. Comove-se, agradece, chora. Carrega nos ombros o peso de uma vida passada a sonhar com o palco e canta “No Time For Dreaming”. Quem é este homem? 62 anos e ainda faz o split à James Brown, dança o boogaloo e grita como o padrinho da Soul. Será possível? Não brinca em serviço, faz o que sente que tem de fazer e nós agradecemos. It’s the real thing! Não se pense que por ter feito imitações de JB é apenas um clone do mesmo. Vai muito para além disso. A honestidade passa pelo reconhecimento das referências e o caminho faz-se assimilando novas descobertas. Charles Bradley é, julgo, o mais próximo que se pode estar da essência Soul. O alma com que interpreta os seus temas é arrepiante. Mais do que uma atitude ou uma linguagem, a Soul é um modo de vida e Charles Bradley é disso exemplo máximo. A sua voz não é polida, é crua e visceral, ao ponto de expor uma genuinidade cada vez mais ausente da sociedade actual. Nem todos estão preparados para isso e, como consequência, há quem reaja com expressões de entusiasmo hipócrita. Charles Bradley não percebe, ou finge não perceber, e continua a distribuir amor de forma indiscriminada. Visivelmente emocionado, desce do palco e, durante vários minutos, abraça o público, um a um, enquanto a banda vai improvisando um interlúdio para Golden Rule. Quando finalmente regressa, mais um split e uma pose digna de um jovem JB, agarrando o microfone de joelhos enquanto grita “go back, go back to the golden rule”. Os temas parecem voar uns atrás dos outros e Charles Bradley dança como se estivéssemos nos anos 70, naturalmente (graças a Deus!) old-school, transpira, it’s the cold sweat!, e às duas por três saca a mais recente versão de “Heart of Gold”, de uma beleza capaz de arrepiar Neil Young. A banda, os Menahan Street Band (erradamente apresentada pela organização como The Budos Band) manteve-se impecável, executando na perfeição um som cada vez mais característico da Daptone.


O tempo é que teimava em passar rápido. Tão rápido que Charles Bradley nem cantou todos os temas do álbum. Tão rápido que quase nem se deu pela sua despedida. Tão rápido que, quando saiu do palco, começaram de imediato a desmontar todo o equipamento, deitando por terra qualquer esperança de encore. 40 minutos de concerto. Não se conseguiu evitar um sabor amargo. Foi como ver passar um meteorito, soube a pouco.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Jar full of honey


Earth Wind and Fire - Boogie Wonderland
Double Discovery - Step On Out
Ohio Players - Love Rollercoster
Stevie Wonder - Higher Gound
Marvin Gaye - Anger
Trevor Dandy - Is There Any Love
Curtis Mayfield - Future Shock
Donny Hathaway - The Ghetto
Eddie Russ - I Want To Be Somebody
LV Johnson - Dancing Girl
Cheryl Lynn - Got To Be Real
Harvey Manson - Till You Take Me Love
Arthur's Landing (Arthur Russel Tribute) - Love Dancing

segunda-feira, 18 de julho de 2011

18 de Julho, 2011

http://30.media.tumblr.com/tumblr_lmj455x6PC1qap2g6o1_500.jpg

duke of burlington - viva tirado (pt. 2)
the sylvers - the roullette wheel of love
ellerine harding - i ain't got much
monk montgomery - reality
the sylvers - keep on keepin on (doin what you do)
minnie riperton - simple things
the stylistics - hey girl come and get it
wade marcus - magic moments
marvin gaye - i want you
dexter wansel - theme from the planets
william goldstein - midnight rapsody
lou rawls - you're never find a love like mine
the players association - turn the music up
marlena shaw - you been away too long

Manuel Guerra

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Concertos de Sharon Jones & The Dap Kings em Portugal



3 de Julho - Casa da Música (Porto)

Um Furacão chamado Sharon Jones por Filipe Cravo



3 de Julho, dia murcho, cinzento. Facilmente poderia ficar para a história como apenas mais um domingo de mau Verão, não fosse um pequeno apontamento a fervilhar na agenda.
Assinalado a marcador vermelho, um pormenor suficientemente grande para ser capaz de alterar o percurso de um dia desinteressante, qual grão de areia na engrenagem: Sharon Jones & the Dap-kings na Casa da Música.

As expectativas eram altas. Em 2005 estive presente no Santiago Alquimista e sobrevivi ao furacão Sharon. Como vítima, posso afirmar que estar perante uma força da natureza – positiva – que nos puxa para fora do pântano que é o quotidiano, é algo que não se esquece. As minhas estruturas abanaram, algumas chegaram mesmo a cair, obrigando-me a repensar e a reconstruir parte dos meus alicerces. Dois anos depois, já prevenido pela experiência anterior, entrei na Madame Jojo’s à espera de mergulhar no meio da tempestade. E assim foi.


Agora, seis anos depois da primeira comoção, honestamente, receava já não estremecer como dantes. O último álbum (I Learned the Hard Way) pareceu-me demasiado Motown pop, demasiado ansioso por abraçar um público mainstream ou, por outras palavras, demasiado polido – distante da gritty Soul a que Sharon Jones nos tinha habituado.

Na Casa da Música, a sala programada para o concerto tornou-se demasiado pequena para tanta procura, forçando um realojamento da banda para uma sala Suggia, de cadeiras mal-vindas para quem esperava dançar. À hora marcada, entram os Dap-Kings – sem Bosco Mann e Thomas “TNT” Brenneck – e Binky inicia o seu lado MC, disparando frases feitas num discurso de energia crescente, culminando com a apresentação de Sharon Jones ao público, tal como Bobby Byrd fazia com James Brown.

Foi bom constatar que, apesar da fama atingida nestes últimos anos, Sharon Jones continua a ser genuína, interagindo com o público, dançando freneticamente enquanto conta a história dos seus antepassados nigerianos, abraçando como ninguém uma energia positiva contagiante que vai sendo destilada ao longo das suas interpretações. Esta senhora manda em nós e nós gostamos. E a partir daqui, tudo se resume a uma experiência única, difícil de verbalizar. A distância entre o que se traduz por palavras e o que realmente acontece num concerto de SJ&DK, é tão grande como a que separa a audição de um álbum e a performance ao vivo desta banda. Os álbuns podem ser bons, mas em nada se comparam às interpretações ao vivo! Em palco, até os temas mais suaves se tornam arrepiantes. No fundo, tudo se resume a isto: a alma de Sharon Jones é demasiado grande para ficar numa rodela! Got to be there to know it!




4 de Julho - Cool Jazz Fest (Cascais)

Get Up! por João Gaspar


Em Cascais, o colarinho e o vestido de pompa tiveram preguiça em levantar-se das cadeiras, mas o funk conseguiu levar a melhor perante algum público devoto a escutas com um pouco mais de etiqueta. E no dia 4 de Julho, no Cool Jazz Fest, o suor é que acabou por contar, com um público rendido a uma noite que cheirou sempre a James Brown. Versão portuguesa e versão feminina. Entrada e prato principal. Cais do Sodré e Sharon Jones. No final não houve ninguém que não ficasse de barriga cheia.

Perto das oito, quando as portas do Parque Marechal Carmona abriam, nada faria prever uma enchente. Pouco mais de duas dúzias de pessoas entravam no relvado. Contudo, assim que os Cais do Sodré Funk Connection ligaram os motores o recinto já se compunha. Com Fernando Nobre, também conhecido por Silk, a liderar a banda residente do Music Box, a plateia começou a transformar a frente do palco numa pista de dança. Ouviu-se James Brown, Etta James mas também alguns originais da banda. Houve tempo para troca de fatiota por parte de Silk e muitos incentivos para que o público largasse as cadeirinhas e abanasse as ancas.

Desconhecidos para muitos, os Cais do Sodré Funk Connection conseguiram arrecadar uma prestação memorável, numa pujança a la anos 70, sem diminutivos e com um funk cru e duro, como se gosta, e com um frontman arrebitado e efervescente a resgatar passos de dança de outros tempos, sempre acompanhado pela doce (e também destemida) voz de Tamin. Contudo, não foi tudo um reviver de passado, encontrou-se na música do grupo lisboeta uma abordagem fresca e interessante, mostrando uma maturidade à altura dos Dap Kings e da senhora Sharon Jones.

E falando neles, lá apareceram, primeiro os Dap Kings, liderados por Binky Griptite, a aquecer e a engraxar o palco para os pés incansáveis do “fenómeno do funk”, Sharon Jones, como muitas vezes a apresentou Binky Griptite, com tiques de apresentador de anos 70, dividindo funções durante o concerto entre band leader, entertainer e retalhista. Faltava Bosco Mann, baixista e produtor de Sharon Jones and the Dap Kings e ainda co-fundador da Daptone Records, essa editora que nos traz delícias de quando a quando. Contudo, a banda residente da editora americana mostrou como se faz, exímia e rodada por entre outros projectos da Daptone, esfregou bem o palco. Depois lá veio o furacão, a bomba, o estrondo de toda uma noite.


Meus senhores e minhas senhoras, Sharon Jones só dá para compreender ao vivo. O trabalho que se ouve em disco é qualquer coisa, mas ao vivo é a experiência de se encontrar a reencarnação feminina de James Brown, sem tirar nem pôr. Irrequieta, de voz possante, a senhora de pouco mais de metro e meio mostrou como se fazem. Tem 55 anos mas lança-se em palco numa dança esquizofrénica que deixa qualquer um de boca aberta. Abanou a anca com dois rapazes pescados da plateia, escavou danças de outros mundos e ainda se embasbacou com um momento que fica na memória dos que lá foram. Um menino, que não teria mais que dois anos, lança-se tímido no palco, depois de escapar aos braços da mãe. De chupeta e cobertor olha para a Sharon Jones e tenta imitá-la. Ela tenta ensiná-lo a abanar-se. Ele, com grandes dificuldades, vira-se para o público e atira para plateia a chupeta, o cobertor, num jeito de “que se dane! Eu vou é dançar com a senhora Sharon!”. Até nos Dap Kings se viram rasgos de gargalhadas, que até aí se mostravam numa cara séria de músico profissional. Depois do momento, o resto foi o alongamento de um concerto que estava sempre prestes a acabar. Com Sharon Jones é assim. Não se acaba, não se pára e sai-se de suor nos sovacos e de sorriso satisfeito na cara. A mulher é uma bomba, assim como foi a noite. Browniana, veraniana e a recordar que o funk é mestre em fazer dançar. Get Up! O resto já sabem…


11 de Julho, 2011

http://redbullmusicacademyradio.com/uploads/show_pics/mizell_brothers_456_001.jpg

johnny hammond - tell me what to do
rance allen group - peace of mind
roger glenn - e.b.f.s.
bobbi humphrey - harlem river drive
the miracles - don't let it end (til you let it begin)
gary bartz - gentle smiles
L.T.D - love to the world
john hammond - virgo lady
donald byrd - changes (makes you want to hustle)
donald byrd - wind parade
L.T.D. - love to the world prayer

thank you fonce

Manuel Guerra

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Doriella


Mais um. Deste fica um rescaldo do concerto de Sharon Jones and The Dap Kings no Porto e em Lisboa. Ainda esta semana crónicas dos concertos.

Buddy Miles, Jimmi Hendrix and Lightnin' Rod - Doriella du Fontaine
The Whitefield Brothers - Rampage
Quantic feat Spanky Wilson - Don't Joke With a Hungry Man
Brother Jack McDuff - Let My People Go
Dexter Wansel - Life On Mars
Maxayn - Song
The Whispers - Make It With You
The Persuaders - Love Gonna Pack Up
Gladys Knight - It's a Better Than Good Time
Sharon Jones and The Dap Kings - Give It Back
O.V. Wright - Nothing Comes To a Sleeper

segunda-feira, 4 de julho de 2011

4 de Julho, 2011

http://www.soulwalking.co.uk/00Images%202009/HB-Nice1983.jpg

bobby hutcherson - yuyo
gil-scott heron - bottle
jackson 5 - mirrors
norman conners - last tango in paris
isley brothers - live it up
bohannon - pimp walk
bohannon - but what is a dream
bohannon - i'll be here for you
bohannon - thoughts and wishes

Manuel Guerra

domingo, 3 de julho de 2011

Sharon Jones & The Dap-Kings!!!

Há cerca de 5 anos tive o privilégio de ver e ouvir esta senhora ao vivo no Santiago Alquimista. Resumidamente, foi como estar perante um furacão.
Alguns anos depois, na Madame Jojo's em Londres, a mesma adrenalina, a mesma bomba de energia positiva que impossibilita a indiferença. Os álbuns são bons, alguns muito bons mesmo, mas em nada se comparam com a prestação ao vivo desta senhora acompanhada pelos virtuosos Dap-Kings! Resumidamente, estes concertos são imperdíveis!

Nós lá estaremos - e prometemos voltar para contar a história!

HOJE! (3 de Julho, Casa da Música, Porto)

AMANHÃ! (4 de Julho, CoolJazzFest, Cascais)


Como aperitivo, aqui fica um vídeo da sua recente passagem pelo Brasil: